NQODOC

Ano: 2022
Meio: Videogame
Técnica: Videogame
Edições: 1+C/A
Captura de tela

NQODOC

é um simulador de caminhada no qual é possível percorrer uma fantástica recriação dos pântanos do Litoral Argentino. O público, com o joystick na mão, explora esses territórios de dia e de noite, descobrindo a fauna e a flora da região, mas também sendo surpreendido por situações mágicas.

O título desse trabalho deriva de uma lenda Mocoví que reflete a relação entre a visão de mundo desses povos, seu ambiente e o papel dos rios na paisagem.
A fantasia é um reflexo original da realidade objetiva na consciência humana, a representação de fenômenos reais ou irreais, com base na imaginação. A partir disso, atribuímos significado ao nosso ambiente e à nossa existência.
Os territórios são áreas definidas não apenas por suas particularidades físicas, mas também por suas características culturais e simbólicas.
A cosmovisão dos povos originários do Litoral é concebida a partir do ambiente em que estão inseridos. Os rios, as enchentes, as águas baixas, a flora e a fauna são combinados em histórias fantásticas que articulam o significado da existência humana com uma visão poética do meio ambiente.

Para mim, a arte sempre teve (e ainda tem) algo de ritual e herança. NQODOC nasceu dessa preocupação: é uma palavra da língua Moqoit que significa «o fim de tudo», mas que na realidade esconde a semente de um novo começo. Meu trabalho não busca ser uma ilustração literal da lenda, mas um exercício de sobrevivência dessas histórias que, para permanecerem vivas, precisam ser contadas várias vezes.

Estou muito interessado na noção de mythogeme, aquela unidade mínima de significado. Na lenda de Mocoví que resgatei, a mitogênese da catástrofe e da salvação está no centro da estrutura. Uso a tecnologia não como um fim, mas como uma ferramenta para dar corpo à narrativa oral, permitindo que a história sofra mutações e se adapte ao nosso presente.
Nesse simulador de caminhada, a paisagem dos pântanos do Litoral torna-se um espaço de memória ativa. Ao caminhar pelo NQODOC, você não está apenas habitando um ambiente digital; está participando da cadeia de transmissão em que as histórias não congelam, mas respiram. É a minha maneira de manter vivas essas histórias que, em seu exercício de resistência, mudam de pele, mas mantêm sua essência. No final, somos nós, por meio do nosso olhar e da nossa técnica, que impedimos que esse «fim de tudo» seja definitivo.

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